domingo, 9 de dezembro de 2007

Mais do que saber o que fazer, onde e como estamos.

Num País onde a Direita é, fundamentalmente, herdeira de um salazarismo mais ou menos saudoso, reaccionária, burguesa e sedenta do Sistema Político que pretensamente combate e de que insistentemente quer fazer parte, a sua marca distintiva é naturalmente o vazio ideológico. Consequência, também natural, o colapso permanente dos seus partidos e organizações bem como um divisionismo assente na busca de protagonismo, que nunca de um Ideário. Seja no extertor do CDS/PP, na vergonhosa e ridícula guerra interna da ND de Manuel Monteiro, ( onde curiosa e exemplarmente, mais uma vez, a sombra tutelar do SIS surgiu ), no PNR ou nos Skins de Mário Machado, ( julgados pelo que pensam, parece, e não pelo que são ou pelos comportamentos e actividades paralelas que os rodeiam, parece, o que se é mau para os militantes de Direita é óptimo e interessa ao Poder ), aqui, ainda, com sombras evidentes de infiltração, provocação e até cumplicidades do SIS e do Poder Judicial. No limite, a situação repete-se, seja na deriva antifa da TIR, onde elementos que funcionam de facto como agentes provocadores assaltaram a postura de um Movimento repleto de gente de bem mas onde alguns tiveram de bater com a porta, ( ler um texto muito pobre e elucidadivo aqui ), seja no bem mais estruturado pensamento Identitário que, crescentemente, é refém dos interesses globais do diktat sionista. Nesta situação é de louvar e acompanhar toda a movimentação que varre amplos sectores nacionalistas. No repensar de Susana Barbosa , vertical e honesto,mas também no, para mim bem mais interessante, debate que se centra nos Grupos Autónomos situados no Norte que de forma lenta mas estruturada, têm procurado pensar antes de agir tendo já encontrado um mínimo de referências para o trabalho futuro. Pela Acção Directa, pela Desobediência Civil, dizendo não à farsa do parlamentarismo burguês. Nacionalista, identitária e racialista. Pelo Trabalho, contra o Capital, social, solidária e não liberal. Não atlantista, antisionista, defensora de uma Europa ancestral e secular de Nações e Povos distintos. Laica, crítica do cristianismo, muitas vezes, mas não alheia ou indiferente aos factores e princípios religiosos identitários da nossa civilização. Defensora dos valores absolutos da Família e da Vida. Atenta e interventiva aos novos desafios da globalização, às questões ambientais, eco, da bio-ética ou da genética, por exemplo. No marasmo reinante, a discussão que envolve a Acção Autónoma será bem mais importante do que um pretenso militantismo interventivo que alimenta o Sistema e apenas aspira a dele fazer parte.

13 comentários:

Zé do Telhado disse...

Boas, PR. Só para dizer olá.

Santos R. Queiroz disse...

Caro Pinto Ribeiro,

Depois de tal me ter sido requerido (um pouco desnecessariamente, já que cá venho regularmente com muito gosto, se bem que me abstenha por vezes de comentar coisas que me dizem menos respeito, por desconhecimento meu), cá vim. Li, com atenção redobrada o artigo.

Cá vem então o comentário:

Conheço de facto o Movimento Nacionalista, e como tal, tudo o que tem sucedido como descreve relativamente a novas movimentações no campo nacionalista e na Nova Democracia. Tenho até uma opinião acerca da caracterização que faz, mas já lá irei.

De facto, as forças da Direita Portuguesa (não concordo com a classificação, e já expus o porquê lá no "Capitão") estão dispersas no esforço, nos objectivos e nos efectivos. Dispersas por um CDS que nada é, a não ser uma grande encenação de arte retórica e política sem consistência, promovida pelo actor único e derradeiro, Paulo Portas. Dispersas pelo PNR, que nunca se soube fazer ver como projecto guiado por um vector sólido, mas antes como uma reunião das "ovelhas negras" do chamado Sistema. Não que essa fosse a vontade dos seus proto-projectistas, os elementos da Aliança Nacional. Mas assim acabou por ser, porque projectos sem pessoas não há, e não se aceitam pessoas sem se aceitarem pedaços dos seus projectos próprios. E tal como nasceu, assim vive o partido: com boa vontade, mas sem identidade. Num partido socialista, isso é a glória, num partido nacionalista, um veneno lento. Dispersa ainda por um (esquecido por si e por quase toda a Sociedade, mas existente) PSD profundo, maioritário, de interior, que preferiu acomodar-se ao regime que combatê-lo, mas que bem saberá a quem responder, numa hora de viragem política, e que por isso não deve ser esquecido como potencial de acção. E dispersa, finalmente, pelas novas e antigas tendências monárquicas e (chamo-lhes eu) neo-luso-nacionalistas, na forma que definiu, e que são a luz do novo Movimento Nacionalista.
Não existe uma direita, mas muitas, como aliás nunca existira antes ou existirá depois, a não ser se algo de novo acontecer que faça delas uma força una. Esse algo já aconteceu. Nasceu para o país numa época de viragem política, 1922, e chamou-se Salazar. Salazar, a que aqui me refiro não como um homem, ou como um político, mas como um projecto nacional em todas as suas vertentes, estudado ao ínfimo e compreensível por todas a as classes. Tal projecto era uma força. Era impossível que não triunfasse, dada a forma entrozada como se vinculou à identidade do Povo Português. A partir do seu triunfo, tudo o mais aconteceu por necessidade, já não por vontade política, ou, romanticamente falando, ideologia. As direitas uniram-se, porque essa seria a forma de se representarem no novo esquema idelógico da Nação. Caso contrário, seriam banidas e suprimidas consoante o momento o determinasse (como foi Rolão Preto e como foi com as esquerdas, que aliás também seguem este quadro histórico).
A força fez a Direita, nunca as direitas fizeram uma direita com força. Assim se passou e nada tenho visto mudar para que se possa considerar que o mesmo não se repetirá. Assim, creio que antes de imaginarmos a direita que queremos (ideia que, já agora acrescento, nem é nova, já a tiveram pessoas como Manuel Monteiro, entre outros, e sempre sem sucesso), teremos de imaginar o país que queremos, sendo a direita que incorporiza esse projecto. E isso, infelizmente, se está a ser feito, não tem tido o indispensável acompanhamento público necessário ao seu sucesso.

Depois temos este projecto cuja face visível parece ser Susana Barbosa e que, pormenores à parte, me parece corresponder ao seu retrato. Ora bem. Bem sei que tudo parece encaixar bem, mas coisas há que me parecem destoar. A mais grave é que esta concepção me parece filha da ideologia esquerdista e não duma profunda análise do Povo Português. Exemplifico:
O camarada refere "anti-sionista, crítica do cristianismo, racialista, não atlantista"... E eu digo-lhe: laicismo com este povo, não pega. Antes pega o catolicismo de aparência que o laicismo assumido. Anti-sionismo, se bem que tivesse alguma razão de ser em áreas chave, também não é obra para um povo tão brando e tão indiferente ao jogo aria-semita. Racialista é ainda mais difícil de concretizar, visto que com a história que temos e o que já deixámos acontecer, seria desonesto. Para connosco e para com eles (não sei se me faço entender). Claro que as ideias poderiam ter alguma aplicação prática, especialmente em políticas económicas, mas pouco mais adiante as vejo praticáveis. O não atlantismo, como o liberalismo, ou como muitos outros termos muito empregues na lígua inglesa, não pega cá, também. Nem pela afirmativa, nem pela negativa. O desconhecimento é grande, a filosofia do Povo nunca para lá tendeu. Do ponto de vista ideológico, as coisas cá, passam-se ao ritmo de antes de 1820. Toda a carga representativa nominal de "socialismo", "Liberalismo", "atlantismo" não pode nem deve ser explicada ao "Zé Povinho". A bem dele, e de nós próprios. Para experiências, já bastou a comunista...

Bem sei que só lhe vim trazer nuvens negras, e eu mesmo gostaria de ser um pouco mais optimista, mas creio que ainda não é desta. A surgir alguma coisa, há-de ser com o clima de instabilidade que acabará por se instalar cá, sendo já tão intenso no estrangeiro. Nessas circunstâncias, aparece sempre algo. De muito bom ou de muito mau.


Cumprimentos aos bloguistas, especialmente ao autor, e a todos os leitores.

PintoRibeiro disse...

Que dois aqui.
Reconforta a alma!
Abraços,

Flávio Gonçalves disse...

Raios, gostei tanto da análise do Santos Queiroz que tive que dizer qualquer coisa.

É a conclusão a que cheguei há poucos anos, excelente comentário, merecia um postal algures.

Vanguardista disse...

"debate que se centra nos Grupos Autónomos situados no Norte que de forma lenta mas estruturada, têm procurado pensar antes de agir tendo já encontrado um mínimo de referências para o trabalho futuro"

A que "grupos autónomos situados no Norte" se refere?

Beltenebros disse...

Não sei se o Povo será assim tão estúpido, salvo seja.
Um bom ponto da situação.
Divulgar os Autónomos na blogosfera?
Sentido de humor. PJ ou SIS.
Preocupante ver um anarca a subscrever o salazarista católico Santos Queiroz.
Saudações nacionalistas.

Flávio Gonçalves disse...

Eu recordo-me dos "Grupos Autónomos Nacionalistas" que posteriormente deram origem à "Coordenadora NR" (mera alteração de nome).

Ao beltenebros, bom, o anarca nem sempre foi anarca.

Vanguardista disse...

«Divulgar os Autónomos na blogosfera?
Sentido de humor. PJ ou SIS.»

Se é para ser secreto, então tudo bem, mas pensei que fosse para "fazer política".

Nero disse...

Não se trata de imaginar Santos Queiroz.
Trata-se de defender princípios e lutar por eles.
A Direita histórica, onde não incluo Salazar, sempre foi não atlantista e anti semita, por exemplo. Os E.U.A. sempre foram nossos antagonistas. Veja-se a questão colonial ou o apoio aos militares da abrilada.
Problema será saber se há de facto Direita em Portugal.
Nós iremos lutar por isso.
Saudações.

Beltenebros disse...

Política há muita por aí.
A nós interessa-nos o combate e não fazer política na net mas nas ruas. Discretamente.

Saudações Nacionalistas.

Bernardo Kolbl disse...

Alice:
Aqui ninguem quer que tenhas medo de nada. Nem sequer te ameaçou. Soa tudo um pouco paranóico.
Olha:
Guardamos os mails para quando nos apetecer fazermos postes com o esterco que aqui vai caindo.
O resto adiante. Guarda o telefone, o nome e o mail. Não ligo a desconhecidos e em especial a "gajas" que andam para aí na net e não conheço.
Já és história. Arranja outra fixação ou consulta um psi perto de ti.

Bernardo Kolbl disse...

Preferia ouvir secular a laica.
E fundamental é discutir a questão do Estado bem como o papel, que já foi do proletariado, do motor da História.
Hoje, qual e aonde.

Abraço.

Bernardo Kolbl disse...

Leiam este:
http://capitaodoar.blogspot.com/2007/12/minha-proposta.html